A Noite

A noite fora sem pesadelos,
sem o cair de um corpo
que achava que estava ele próprio,
morto,
e tivera que se auto-ressucitar.

A noite fora sem gritos presos
na garganta fechada,
para a vizinhança não acordar.
Com o gosto de suor nos lábios,
de quem repentinamente,
acabara de acordar.

A noite que passara,
durante o fechar dos meus olhos,
fora a com o seu rosto em meu ombro,
nós dois, unidos por um único abraço,
de gente cansada e que não consegue,
mais, manter o tal do acordar.

A noite passara
diante dos meus olhos fechados,
do nosso corpo encostado.

Ela passara,
e a escuridão profunda,
que é o que ela geralmente é -
A noite, uma escuridão
de solidão,
desespero e agonia,
pois sabe-se que devemos acordar,
para um novo dia -
não viera.

Viera um escuro
pleno,
sereno,
severo.
Era o negro
dos olhos teus
com aquele,
sempre,
brilho específico,
que irradia o meu olhar.

A noite viera,
a noite passara.
E eu daria doze anos
de noite sem ti,
por apenas mais uma,
como essa que viera,

como essa que se fora.

B.P.


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