Declaração de um Bardo III Bardo de um Novo Ano

O ano passa
e passa o ano
e continua comigo,
a melancolia e a tristeza,
caminhando.

Não és uma opção,
é imposto,
elas vêm companhia
fazendo-me

E pra que me debater,
continuem aí,
é a solidão que se junta
e vai embora, pois
no caminho há mais demora.

Porém, surpreso sou recebido,
sempre, a vida prega-me peças.

Não passa o ano,
mas desta vez estou mais acompanhado,
vêm-me ti,
sem nome, endereço.

Numa noite cinzenta
e em um momento nojenta
de sentimentos trazidos à tona.

Sentei-me na cadeira de olhos baixos
querendo apenas descansar,
esquecer e com alguém novo,
conversar.

Um costume que és me,
estranho.
Pelo introvertido que sou,
mas o acaso me prega peças,
algumas boas, ao que parece.
As vezes, percebo agora,
isso acontece.

E com os olhos brilhantes
mais bonitos que eu vi,
pois pode não saber,
mas avistei-os rapidamente
e rapidamente eles prenderam minha atenção.

Achei-os perdidos
e os meus se perderam nos seus.

Eles tiraram,
os dois pares de olhos mais bonitos que já vi,
com o tempo e a conversa,
pois são olhos bastante falantes,
a melancolia e a tristeza,
e passa o ano,
e elas passam comigo,
mas distantes, escondidas,
como quem não está mais aqui,
talvez não voltem mais.

E  o ano passa
e passa o ano.
Começa diferente,
espero que continue com esta vertente.

Sou um bardo de um novo ano,
és um novo ano para este bardo.


B.P.


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