Caixa

Estás vivo ou morto?
Estás vivo?
Ou estás morto?
Estás vivo e morto,
Disse o físico que
A relatividade da vida
De uma outra maneira,
Tentava explicar.

A questão é se
Estou vivo ou morto?
A questão é você
Estás viva ou morta?

Em meio a palavras esculpidas
Em rochas, como runas antigas,
Observo a vida dentro da caixa.
Que estás na verdade aberta,
Não é nenhuma câmara secreta,
Por que, aliás, não esconde segredo algum.

A questão é que dentro da caixa vazia
Da câmara de fotografia
Dentro de teu peito
Se estou vivo e morto.
Ou vivo ou morto.
Ou vivo.
Ou morto.

A verdade é que meu peito,
Corroído mais pela incapacidade
De algo fazer
Do que a própria vontade de novamente
Te ver,
O que admito, que já é um catalizador forte
Para todo este corroer.

Olho tuas palavras,
Ouço-as como suspiros
E prantos
E tantos,
Tantos outros,
Tantos tristeza e falta.

Jamais digas novamente
Que és o asfalto pisado e cuspido,
E não digo isto por ser um cúmplice do cupido.
Nunca obtenha isto em tua mente,
És outra coisa.

Não é o opressor,
O julgador que julga
E amassa e destrói,
Que olha os inferiores como menores.
Você flutua sobre tudo,
Poderia escolher voar
Sobre tudo e observar
E vir até aqui
Em suas asas de anjo,
Mas tanto
Escolheu a bondade.
Que flutua sobre o chão
Apenas, em pé de igualdade
Com tudo e todos,
Mas sem pisar em nada,
Sem pisar em ninguém.

A caixa em teu peito está aberta,
Mas não é por isto que sei,
Se estou morto, se estou vivo,
Se estou vivo ou se estou morto.
Há sempre uma possibilidade de ambos,
Estar de aparência horrenda e necroso
Derretendo aos poucos na câmara,

Eu sei como estou
Dentro da caixa
Agora,
Quando quiseres que eu saia,
Para te reencontrar,

É só chamar.

B.P.


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